Sexta-feira,Abril 4, 2025
10.7 C
Castelo Branco

- Publicidade -

Castelo Branco: O Tacho é que Importa, a População que Espere!

A Política Local Transformada em Mercado de Influências e Favores

Castelo Branco, essa joia do interior português, transformou-se numa autêntica arena onde o maior espetáculo não é a promoção do bem-estar da população, mas sim a luta feroz pela manutenção do “Tacho”. A política local tornou-se um jogo de interesses em que quem realmente importa não é o povo, mas sim aqueles que, com habilidade e alguma falta de vergonha, se agarram aos cargos públicos como se fossem uma tábua de salvação. Enquanto isso, a população — essa massa anónima e esquecida — segue sendo tratada como uma mera figurante no cenário da política autárquica.

Num contexto onde a função dos autarcas deveria ser a de representar e promover o desenvolvimento das suas freguesias, o que se observa, na realidade, é uma profunda desconexão entre os interesses dos cidadãos e as ações dos seus líderes. O foco está longe das necessidades da população e mais centrado na preservação dos privilégios dos governantes locais. O “Tacho” está seguro, os empregos estão garantidos e os cargos são disputados não pelo desejo de fazer a diferença, mas pelo medo de sair do círculo de influência onde se acumula poder e, claro, dinheiro público.

O exemplo mais claro deste desatino vem de Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco e líder do PS concelhio. Sob a sua liderança, o município tem-se destacado pela sua habilidade em “desviar” recursos e distribuir favores. A gestão financeira da câmara tornou-se uma verdadeira obra de arte do clientelismo, com fundos a serem cuidadosamente distribuídos conforme as necessidades do partido e os interesses de quem se encontra em posição de poder. Não é à toa que eventos culturais como o “Festival dos Moinhos 2025” e a Criadilha de Caféde e Póvoa de Rio de Moinhos tenham sido cancelados por falta de verbas. Onde estavam os responsáveis, quando se tratava de garantir que essas festividades, que fazem parte da identidade local, se mantivessem? A resposta é simples: estavam preocupados com o “Tacho”, com o cargo, com o prestígio político.

E, claro, não podemos esquecer a cereja no topo do bolo: Alcains. A festa do “Cheese”, uma verdadeira manifestação de promiscuidade política, recebe quase meio milhão de euros. Dinheiro público. Só para que o evento apareça na agenda de campanha do Partido Socialista, oferecendo aos habitantes locais uma falsa sensação de importância. As outras freguesias? Bem, essas que esperem, que se conformem com as migalhas que sobraram depois do grande festim de favores.

O cenário é de um cinismo absoluto. A política em Castelo Branco foi reduzida à troca de favores, à promoção de eventos de fachada e ao perpetuar de uma rede de clientelismo que favorece uns poucos enquanto abandona a grande maioria. Para além disso, o fenómeno do nepotismo e do amiguismo vai ganhando cada vez mais terreno. São raros os casos em que os eleitos realmente se preocupam com as suas freguesias e não com os seus próprios interesses. Os presidentes de junta que se mantêm firmes na defesa das suas populações, sem a promessa de cargos ou favores, são poucos, mas são justamente os que ainda têm a dignidade de representar o que a política deveria ser: um trabalho em prol da comunidade.

Neste círculo vicioso de promessas vazias e interesses pessoais, é difícil não perceber que a política em Castelo Branco deixou de ser uma ferramenta ao serviço do povo e transformou-se num verdadeiro mercado de influências. O cidadão comum, que deposita nas urnas a esperança de uma mudança, vê-se impotente diante da continuidade do sistema, onde a verdadeira política pública foi substituída por estratégias eleitorais que apenas garantem que o “Tacho” se mantenha bem preso.

E assim, enquanto as populações sofrem as consequências de uma gestão irresponsável e parcial, os responsáveis por esta tragédia parecem mais preocupados em assegurar o seu próprio futuro político do que em resolver os problemas reais de quem os elegeu. A política em Castelo Branco tornou-se uma competição entre aqueles que já estão no poder e que têm o privilégio de garantir o seu “lugar à mesa”, enquanto o povo continua à espera de uma mudança que nunca chega.

Castelo Branco, mais do que nunca, precisa de líderes que, ao invés de se agarrar ao poder como se fosse um bem pessoal, realmente se importem com a sua gente. E até lá, continuará a ser um palco de comédias políticas, onde o espetáculo principal é o desfile daqueles que, com sorrisos e promessas, garantem a continuidade de um sistema que só serve aos interesses de uma minoria.

Se restar alguma dúvida sobre o verdadeiro rosto da política local, basta observar a maneira como o “Tacho” nunca é deixado à deriva, enquanto os cidadãos, esses sim, continuam à espera de um milagre que provavelmente nunca virá.

- Publicidade -

Não perca esta e outras novidades! Subscreva a nossa newsletter e receba as notícias mais importantes da semana, nacionais e internacionais, diretamente no seu email. Fique sempre informado!

Partilhe nas redes sociais:
Fernando Jesus Pires
Fernando Jesus Pireshttps://oregioes.pt/fotojornalista-fernando-pires-jesus/
Jornalista há 35 anos, trabalhou como enviado especial em Macau, República Popular da China, Tailândia, Taiwan, Hong Kong, Coréia do Sul e Paralelo 38, Espanha, Andorra, França, Marrocos, Argélia, Sahara e Mauritânia.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques

- Publicidade -

Artigos do autor

Não está autorizado a replicar o conteúdo deste site.