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Óscares 23: a linguagem mediática do “menos” ofusca o “mais” português

Continuamos a usar, mediaticamente, uma mensagem minimizadora, uma espécie de estereótipo que nos persegue sobre a performance portuguesa, desta feita em relação nomeação portuguesa aos Óscares 2023: “Portugal foi um dos derrotados”; “Portugal perde Óscar para… “ ou ainda “ não foi desta que…”. Portugal não perdeu para qualquer um dos filmes de animação nomeados. Todos eles competiam, todos eles tinham qualidade, mas a escolha foi atribuída a “The Boy, the Mole, the Fox, and the Horse” de Peter Baynton e Charlie Mackesy. Portanto, que bom! Portugal posicionou-se com “Ice Merchants” do jovem realizador João Gonzalez, entre os melhores para o Óscar. João Gonzalez e o produtor Bruno Caetano, tiveram consciência dessa importância.

Óscares 23: a linguagem mediática do “menos” ofusca o “mais” português
DR

Como cinéfila que sou – ano após ano os Óscares tiram-me o sono – apraz-me observar a cerimónia nos seus pormenores. Já tinha visto os principais filmes deste 95º certame da Academy Awards, no Dolby Theatre, em Los Angeles.  E que grandes atores e atrizes!

Naturalmente que não conseguem ganhar todos os filmes nomeados e nem todos são das nossas preferências. Por exemplo, o filme que saiu vencedor: “Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo”, com sete Óscares, não me conquistou. Preferia que tivesse ganho “A Oeste Nada de Novo”, que, contudo, arrecadou quatro estatuetas douradas. Melhor filme internacional, alemão. Através dele podemos percecionar os sonhos desfeitos de uma juventude perdida na I Guerra Mundial. Eram soldados a quem, mesmo em cima do acordo de paz, ordenaram que combatessem, numa espécie de suicídio coletivo, apenas porque há generais frustrados que não aguentam derrotas no seu “palmarés”.

Gostaria que Cate Blanchett, no extraordinário filme “Tár” em que encarna o papel de uma extraordinária maestrina, com uma vida complexa de assédios aos seus alunos, tivesse ganho o Óscar de “Melhor Atriz”, mas nada ganhou. Michelle Yeoh foi a primeira asiática a conquistá-lo. Também o reconhecido Spielberg e a sua vida retratada em Fabellmans, conseguiu alguma coisa.

Óscares 23: a linguagem mediática do “menos” ofusca o “mais” português
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A “Baleia” mereceu, e bem, a estatueta de “Melhor Actor” para Brendan Fraser. Trata-se de filme extraordinário de uma pessoa que, desistindo de viver, se torna obesa e se esconde da sociedade, amealhando dinheiro para uma filha que o despreza, faz-nos refletir. Gostei igualmente que o melhor documentário tivesse sido atribuído ao filme sobre o opositor russo Nalvalny, atualmente preso.
Como em tudo na vida, nem sempre os vencidos são os perdedores. É que os Óscares de Hollywood são um grande palco do Globo e o mundo precisa de conhecer não só os vencedores, mas também aqueles que, não o sendo, continuam ganhadores.

Óscares 23: a linguagem mediática do “menos” ofusca o “mais” português
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E já agora, eis a lista dos premiados ( partilhada da revista visão/Lusa):

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MELHOR FILME

1. “A Oeste Nada de Novo” (vencedor de melhor filme internacional)
2. “Avatar: O Caminho da Água”
3. “Os Espíritos de Inisherin”
4. “Elvis”
5. “Tudo em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo” , vencedor
6. “Os Fabelmans”
7. “Tár”
8. “Top Gun: Maverick”
9. “Triângulo da Tristeza”
10. “A Voz das Mulheres”

MELHOR ATOR

1. Austin Butler, “Elvis”
2. Colin Farrell, “Os Espíritos de Inisherin”
3. Bill Nighy, “Living”
4. Brendan Fraser, “A Baleia”, vencedor
5. Paul Mescal, “Aftersun”

MELHOR ATRIZ

1. Cate Blanchett, “Tár”
2. Ana de Armas, “Blonde”
3. Andrea Riseborough, “To Leslie”
4. Michelle Yeoh, “Tudo em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo” , vencedor
5. Michelle Williams, “Os Fabelmans”

MELHOR REALIZAÇÃO

1. Martin McDonagh, “Os Espíritos de Inisherin”
2. Daniel Kwan, Daniel Scheinert, “Tudo em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo”, vencedor
3. Todd Field, “Tár”
4. Steven Spielberg, “Os Fabelmans”
5. Ruben Östlund, “Triângulo da Tristeza”

MELHOR EDIÇÃO

1. “Os Espíritos de Inisherin”, Mikkel E.G. Nielsen
2. “Elvis”, Jonathan Redmond, Matt Villa
3. “Tár”, Monika Willi
4. “Tudo em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo”, Paul Rogers, vencedor
5. “Top Gun: Maverick”, Eddie Hamilton

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

1. “Applause” de Diane Warren por “Tell It Like a Woman”
2. “Hold My Hand” de Lady Gaga, BloodPop por “Top Gun: Maverick”
3. “Lift Me Up” de Tems, Ludwig Göransson, Rihanna e Ryan Coogler por “Black Panther: Wakanda Para Sempre”
4. “Naatu Naatu” de Kala Bhairava, M. M. Keeravani, Rahul Sipligunj por “RRR”, vencedor
5. “This Is A Life”, de Ryan Lott, David Byrne, Mitski por “Tudo Em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo”

MELHOR SOM

1. “A Oeste Nada de Novo”
2. “Avatar: O Caminho da Água”
3. “The Batman”
4. “Elvis”
5. “Top Gun: Maverick”, vencedor

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO

1. “A Oeste Nada de Novo”, Edward Berger, Lesley Paterson
2. “Glass Onion”, Rian Johnson
3. “Living”, Kazuo Ishiguro
4. “Top Gun: Maverick”, Peter Craig, Justin Marks, Ehren Kruger, Eric Warren Singer, Christopher McQuarrie
5. “A Voz das Mulheres”, Sarah Polley, vencedor

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL

1. “Os Espíritos de Inisherin”, Martin McDonagh
2. “Tudo em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo”, Daniel Kwan, Daniel Scheinert, vencedor
3. “Os Fabelmans”, Tony Kushner, Steven Spielberg
4. “Tár”, Todd Field
5. “Triângulo da Tristeza”, Ruben Östlund

MELHORES EFEITOS VISUAIS

1. “Avatar: O Caminho da Água”, vencedor
2. “A Oeste Nada de Novo”
3. “The Batman”
4. “Black Panther: Wakanda Para Sempre”
5. “Top Gun: Maverick”

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL

1. “A Oeste Nada de Novo”, Volker Bertelmann, vencedor
2. “Babylon”, Justin Hurwitz
3. “Tudo em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo”, Son Lux
4. “Os Espíritos de Inisherin”, Carter Burwell
5. “Os Fabelmans”, John Williams

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

1. “Babylon”
2. “Os Fabelmans”
3. “A Oeste Nada de Novo”, vencedor
4. “Avatar: O Caminho da Água”
5. “Elvis”

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

1. “The Boy, the Mole, the Fox, and the Horse”, vencedor
2. “The Flying Sailor”
3. “Ice Merchants”
4. “My Year of Dicks”
5. “An Ostrich Told Me The World Is Fake And I Thing I Believe It”

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL

1. “The Elephant Whispereres”, vencedor
2. “How Do You Measure A Year”
3. “The Martha Mitchell Effect”

MELHOR FILME INTERNACIONAL

1. “A Oeste Nada de Novo” (Alemanha), vencedor
2. “Argentina, 1985” (Argentina)
3. “Close” (Bélgica)
4. “EO” (Polónia)
5. “The Quiet Girl” (Irlanda)
6. “Turning Red”

MELHOR GUARDA ROUPA

1. “Elvis”
2. “Mrs. Harris vai a Paris”
3. “Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo”
4. “Babylon”
5. “Black Panther: Wakanda para Sempre”, vencedor

MELHOR MAQUILHAGEM E CABELOS

1. “A Oeste Nada de Novo”
2. “Black Panther: Wakanda Para Sempre”
3. “The Batman”
4. “A Baleia”, vencedor
5. “Elvis”

MELHOR FOTOGRAFIA

1. “A Oeste Nada de Novo”, James Friend, vencedor
2. “Bardo, Falsa Crónica de umas Quantas Verdades”, Darius Khondji
3. “Elvis”, Mandy Walker
4. “Empire of Light”, Roger Deakins
5. “Tár”, Florian Hoffmeister

MELHOR CURTA-METRAGEM DE IMAGEM REAL

1. “An Irish Goodbye” , vencedor
2. “Ivalu”
3. “Le Pupille”
4. “Night Ride”
5. “The Red Suitcase”

MELHOR DOCUMENTÁRIO

1. “All That Breathes”
2. “Toda a Beleza e Carnificina”
3. “A House Made of Splinters”
4. “Fire of Love”
5. “Navalny” , vencedor

MELHOR ATRIZ SECUNDÁRIA

1. Angela Bassett, “Black Panther: Wakanda Para Sempre”
2. Hong Chau, “A Baleia”
3. Kerry Condon, “Os Espíritos de Inisherin”
4. Stephanie Hsu, “Tudo em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo”
5. Jamie Lee Curtis, “Tudo em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo”, vencedor

MELHOR ATOR SECUNDÁRIO

1. Brian Tyree Henry, “Causeway”
2. Judd Hirsch”, Os Fabelmans”
3. Barry Keoghan, “Os Espíritos de Inisherin”
4. Brendan Gleeson, “Os Espíritos de Inisherin”
5. Ke Huy Quan, “Tudo em Todo o Lado Ao Mesmo Tempo” , vencedor

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

1. “Pinóquio de Guillermo del Toro” , vencedor
2. “Marcel the Shell with Shoes On”
3. “Gato das Botas: O Último Desejo”
4. “The Sea Beast”
5. “Turning Red”

Óscares 23: a linguagem mediática do “menos” ofusca o “mais” português
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Otília Leitão
Otília Leitão
Doutorada em Ciências da Comunicação no ISCTE-IUL (2021), Mestre em Comunicação, Media e Justiça Universidade Nova de Lisboa ( 2010-2012). Licenciatura em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa (Menção jurídico políticas). Curso de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (sistema e-learning) Instituto Camões.

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